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Professor Doutor Manuel Januário da Costa Gomes
(Professor da Faculdade de Direito de Lisboa - Vice-Presidente do Instituto da Cooperação Jurídica da FDL entre 2002 e 2004)
O meu testemunho e os meus votos
Desempenhei, até Maio de 2004, durante dois anos, as funções
de Vice-Presidente do Instituto da Cooperação Jurídica,
com o pelouro das relações com a Faculdade de Direito de Bissau.
Foram dois anos muito intensos, que assinalam uma nova fase da Faculdade de
Direito de Bissau: à fase da, digamos, restauração, após
o conflito militar de 1998, havia que encetar uma fase de modernização
e dinamização da Faculdade, assumindo também uma intervenção
activa na vida jurídica da Guiné-Bissau. Esta nova fase teve
como principais protagonistas, é justo destacá-lo, o Mestre Rui
Ataíde, na sua qualidade de Assessor Científico, e o Mestre Fodé Mané,
Director da Faculdade.
Assiste-se, neste período, a um conjunto de iniciativas que transformaram
a Faculdade de Direito de Bissau numa referência do país e da
sub-região, passando a constituir um legítimo orgulho da República
da Guiné-Bissau, da Cooperação Portuguesa e da Faculdade
de Direito de Lisboa.
Destaco, para além das iniciativas a nível de realização
de obras e de apetrechamento da Faculdade (maxime a nível da biblioteca
e de equipamento informático), a organização de conferências,
a fantástica organização, em Maio de 2003, das Jornadas
Jurídicas sobre a Integração Regional e a Uniformização
do Direito dos Negócios em África, com a participação
de um conjunto de especialistas altamente categorizado, a retoma da publicação
do Boletim da Faculdade de Direito de Bissau, a dinamização do
Centro de Estudos, a criação de Institutos, o contacto com académicos
dos países da sub-região, a promoção de traduções
dos Actos Uniformes da OHADA para a língua portuguesa, a promoção
do ajustamento do direito interno da Guiné-Bissau ao direito da OHADA,
a promoção da tradução do SYSCOA, a organização
de estágios de aperfeiçoamento e actualização de
docentes guineenses da Faculdade de Direito de Bissau na Faculdade de Direito
de Lisboa, etc. etc.
A um outro nível, há que assinalar o estudo e os contactos, designadamente
com o IPAD, para a implementação (que veio, entretanto, a acontecer
no ano lectivo 2004-2005) da menção em Administração
Pública, no âmbito da licenciatura em Direito: antiga aspiração
do Governo da Guiné-Bissau e da Faculdade de Direito de Bissau, foi,
finalmente, possível concretizar esse projecto.
Apesar das enormes dificuldades e carências, a Faculdade de Direito de
Bissau é um magnífico exemplo de boa vontade. Boa vontade de
muitos, a começar pelos seus estudantes e pelos seus docentes, havendo
que realçar, nesta hora feliz de criação de um site próprio
na Internet, o forte impulso que a Cooperação Portuguesa e a
Faculdade de Direito de Lisboa têm, desde o início, dado ao projecto.
No período em que fui Vice-Presidente, contei sempre com a colaboração
dedicada dos Assistentes seleccionados pela Faculdade de Direito de Lisboa,
quer daqueles que desempenharam funções de Assessores Científicos
(primeiro, por poucos meses, a Mestra Florbela Pires e, depois, o Mestre Rui
Ataíde), quer dos demais, a saber: o Dr. Filipe Falcão Oliveira,
o malogrado Dr. Tiago Mata de Almeida, o Dr. Nuno Aureliano, a Dr.ª Cláudia
Madaleno e a Dr.ª Mónica Freitas. De resto, ainda relativamente
a esse período, recordo o entusiasmo do Prof. Doutor António
Marques dos Santos, que, à data da sua prematura morte, era Presidente
do Instituto da Cooperação Jurídica, nutrindo, aliás,
um carinho especial pela Faculdade de Direito de Bissau.
Termino desejando felicidades à Faculdade de Direito de Bissau e formulando
votos para que consiga resistir aos cantos de sereia da massificação
e da facilidade e manter os seus níveis de qualidade e de rigor: é que
estes, para além de serem indispensáveis a uma instituição
universitária séria e credível, são também,
a médio e longo prazos, uma condição de afirmação
e de sobrevivência. Garante desses níveis de qualidade e de rigor é,
em primeiro lugar, o corpo docente da Faculdade de Direito de Bissau; neste
particular, é essencial a continuação dos projectos de
mestrado e de doutoramento, em articulação com a Faculdade de
Direito de Lisboa, complementados, no que respeita aos docentes com mestrado,
com estágios e cursos de actualização e aperfeiçoamento.
Manuel Januário da Costa Gomes
Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Janeiro
de 2005
(topo)
Professor Doutor Luís Menezes Leitão
(Professor da Faculdade de Direito de Lisboa - Vice-Presidente do Instituto da Cooperação Jurídica da FDL entre 1998 e 2002)
No momento em que em 1998 tomei posse do cargo de Vice-Presidente
do Instituto da Cooperação Jurídica da Faculdade de
Direito de Lisboa, foi-me atribuído o pelouro da cooperação
com a Faculdade de Direito de Bissau.
Nessa altura, a Guiné-Bissau encontrava-se em guerra, com ocupação
do território por forças estrangeiras, e o edifício da
Faculdade de Direito de Bissau estava ocupado por tropas do Senegal. A guerra
tinha-se desencadeado antes do período dos exames, levando a que o ano
lectivo não se tivesse
concluído e não havia condições para retomar o
ensino em Bissau, nem mesmo sequer apoio dos serviços competentes do
Estado Português para esse efeito, que pareciam encarar a situação
como um pretexto para fazer cessar a cooperação entre a Faculdade
de Direito de Lisboa e a Faculdade de Direito de Bissau.
Com a imprescindível colaboração
do Dr. Filipe Baptista, cuja devoção à Faculdade de
Direito de Bissaupude testemunhar, decidi fazer todo o possível
para regularizar a situação. Assim, logo no primeiro avião
da TAP que reatou a ligação aérea com Bissau, o Dr.
Filipe Baptista e eu próprio deslocámo-nos a Bissau, onde
efectuámos contactos com o Senhor Ministro da Educação
e com vários alunos da Faculdade, tendo percebido o grande interesse
que existia na Guiné-Bissau pelo reatamento do ensino na
Faculdade. Muito impressionado fiquei por largos meses depois do encerramento
da Faculdade de Direito de Bissau ter visto alunos a estudar, em ordem a não
perder o ensino que tinham recebido.
A primeira medida que tomámos foi deslocar vários
docentes a Bissau, em ordem a retomar os exames que tinham sido abruptamente
interrompidos. Logo que foi possível a abertura do ano lectivo,
enviámos uma equipa de docentes a Bissau, tendo como Assessora Científica
a Mestra Florbela Pires, que desempenhou um magnífico trabalho de
assessoria ao Director da Faculdade, o Dr. Fodé Mané. Essa
equipa deparou-se com inúmeras dificuldades, tendo talvez a maior
delas sido a certa altura os organismos oficiais do Estado Português
terem decidido questionar a cooperação desenvolvida com a
Faculdade, o que me obrigou a efectuar nova deslocação a Bissau,
agora em 2000, em ordem a esclarecer o mal entendido que existia em relação
a essa cooperação. As dificuldades acabaram, porém, por
ser ultrapassadas, tendo-se conseguido retomar o funcionamento normal da Faculdade.
Posteriormente, passou a ser o Mestre Rui Ataíde o Assessor Científico
da Faculdade, numa fase que já não foi apenas de recuperação,
mas também de desenvolvimento.
Deve-se assim ao Dr. Fodé Mané e aos Mestres Florbela Pires e Rui Ataíde o trabalho de recuperação da Faculdade de Direito de Bissau. Essa recuperação não teria, no entanto, sido possível se não fosse o interesse do Estado da Guiné-Bissau na sua manutenção e principalmente a vontade dos seus estudantes em retomar a sua aprendizagem. Da minha parte, desejo que a Faculdade de Direito de Bissau seja uma instituição perene, como o devem ser todas as instituições universitárias".
Com os meus melhores cumprimentos,
Luís Menezes Leitão
(topo)
Dr. Silva Pereira
(Conselheiro para a Cooperação da Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau)
Decorridos dez anos desde que surgiram os seus primeiros
diplomados, a Faculdade de Direito de Bissau ganha um novo fôlego
e avança decididamente numa nova área do ensino - a vertente
de Administração Pública -, contribuindo dessa forma
para o reforço das instituições e a melhoria do funcionamento
da administração, através das capacidades e competências
que os futuros licenciados trarão à sociedade guineense.
Esse contributo é já uma realidade indiscutível através
dos 130 licenciados em Direito, de nove cursos jurídicos, e de 25 mestres
ou mestrandos e 5 doutorandos pela Faculdade de Direito de Lisboa que, nas
mais diversas esferas ajudam, de forma determinante, a estruturar o tecido
político, social, económico e empresarial da Guiné-Bissau,
seja na negociação de contratos, no estabelecimento das grandes
linhas de cooperação, nas negociações internacionais,
na condução da sua diplomacia, em suma, em todos os domínios
em que o conhecimento jurídico é imprescindível para a
defesa dos interesses do Estado guineense.
Para além destes aspectos, é fundamental a contribuição desta Instituição para o aperfeiçoamento do sistema judicial através dos quadros que prepara para a magistratura, reforçando o poder judicial e a sua independência perante o poder político, permitindo que se constitua na escora do Estado democrático.
Falar da Faculdade de Direito de Bissau é falar dos docentes guineenses
que ao longo de década e meia têm contribuído com a sua
dedicação e inteligência para a afirmação
duma Escola que tem hoje um elevado grau de apropriação – 2/3
das regências são asseguradas por professores nacionais;
É ter presente o notável trabalho desenvolvido pelos docentes da Faculdade de Direito de Lisboa aqui destacados que, com o seu talento, determinação e competência guindaram a FDB a um invejável patamar de prestígio, projectando-a extra-muros, em particular na sub-região;
É referir o apreciável esforço realizado no período pós-conflito, pelos docentes portugueses e guineenses que, apesar de todas as vicissitudes, recuperaram o Projecto para os seus nível de desempenho e dinâmica normais;
É pôr em evidência a visão revelada pela Cooperação Portuguesa ao envolver-se em tal desafio que, no fim de contas, se transformou na sua “jóia da coroa”;
É reconhecer que se trata de um projecto que prestigia a Cooperação Portuguesa e honra a Guiné-Bissau e relativamente ao qual faço votos da continuação do maior sucesso e expresso o meu particular apreço.
Bissau, 30 Novembro de 2004
José Silva Pereira